Quão escuro era o caminho que traçara,
totalmente acidentado, com árvores antigas que serpenteavam suas raízes em meio
a estrada coberta de mato alto ao alcance dos joelhos. Era difícil enxergar o
que resultava sempre em um ou outro passo em falso.
Ela
era acostumada a se aventurar por atalhos improvisados, mesmo no poente, mas
esta trilha em especial, era sufocante. O ambiente impunha uma tenção, própria
do silêncio esmagador que aquele lugar lhe reservou. Pior que a calmaria
suspeita, era, se em súbito um barulho rompesse o sossego revelando algo à
espreita.
A
pobre garota, nunca antes se perdera, talvez isso justifique seu medo. Na
verdade, era totalmente aceitável tal reação, pois paranoia é algo comum a aqueles
que são privados dos sentidos, ainda mais se estiverem onde ela estava, cheia de possíveis ameaças. Deus sabe o quão silenciosa são as onças e sorrateiras as
serpentes, sem contar o perigo que era cair em um valado ou pantanal.
Ela não ficou parada, continuou andando até
ver a frente, o contorno das árvores em meio a escuridão. Lucy cogitou a
ideia de ficar por ali mesmo, porém mudou de opinião num instante ao perceber
que uma das silhuetas se movera! Seria o vento a balançar os galhos? Outra caminhou para o fundo, onde a pouquíssima luz não alcançava.
Pálida, se virou para correr, mas estava cercada pelo que deviria ser a
floresta. A pobre coitada foi cambaleando em direção a
uma das silhuetas e a tocou trêmula, sentindo a áspera casca e acima a folhagem.
Ouviu alguns estalos secos e em seguida um baque abafado. Lucy tateou o
chão em busca de algo com que se defender, mas em vão. Então se virou e gritou a fim de acabar com a
ansiedade e descobrir quem era o desgraçado a lhe perturbar.
Ao
longe ouviu algo repetindo o grito que soltara, como se fosse ela mesmo a repetir. O topo das árvores remexeram,
assustando a jovem que correu para o centro do círculo, rodeado de vultos, que a cada momento ficava menor. Um assovio alto a fez tampar os
ouvidos e uma dor de cabeça a fez chegar ao ápice da insanidade e após isso
tudo, desmaiou.
No dia seguinte acordou na mata, apavorada, mas bastou olhar a direita para ver sua casa bem ali, a alguns
metros. Lucy ficou se questionando quanto a tudo isso, se teria sido um
sonho, quando um assovio a fez estremecer e correr de volta para o lar.